Éfi.

A desenfreada torrente desemboca na esquina da tentação e não há outra saída possível além de seguir sua força descomunal – este é o único caminho visível.

A natureza diluviana impulsiona o embate. A contrarrazão afoga a razão e você se emenda com o impetuoso. É impelido a reagir com a mesma carga de violência, de ofensa, de rancor – esta é uma onda quase irremediável.

Mas aí… Algo te paralisa, bloqueia o seu avanço ao lamaçal do confronto, do orgulho, da retaliação… e te puxa pra trás – surge o Caminho invisível.

Você sente um solavanco te partindo ao meio. Dói. Ele evita que você progrida (agrida) e sua outra face começa a arder, porque você a cedeu para mais um tapa.

A salvo, seu corpo inteiro esbarra em Cristo – a represa inabalável que impede você de pecar.

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A sirene toca. O desespero desperta.

Não há o que ignorar: é sangue ou asfixia. Também pode ser qualquer outra dor que te transforma numa úlcera impotente.

Grita, sussurra. Implora que alguém te salve. Que te cuidem. Que ao menos te façam o que lhes é obrigação.

Onde está o olhar que cura? As mãos leves que cicatrizam feridas? A voz que embala o sono entrecortado, numa noite de agonia e agulhas? Onde?

Vem a sirene. Abre-se a boca. Cala-se em abismos. Desperta para evitar o desespero.

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Fragmentos de um diário, 15/11/2021

A gente deve fazer o que se deve fazer, se não imediatamente, o mais rápido possível.

Não adiar em encarar o problema.

Não adiar em pensar nas possíveis soluções.

Desprocrastinar.

E se algo pode ser feito hoje, faça.

Muitas vezes é ruim, é incômodo, é chato, a gente tem preguiça, a gente tem até medo, se consome por ansiedade, mas depois que faz, depois que termina, depois que completa aquela tarefa, a sensação, a doce sensação de ter cumprido aquele dever é tão prazerosa que, se existir algum esforço, sempre poderá se gozar dessa plenitude.

Vira hábito.

Vira vício.

Chamam, bonitamente, de proatividade.

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Éfi.

Éfi.

A mesma, porém outra todos dias - graças à misericórdia.